Meu protocolo quebrou: o que fazer nas primeiras 48 horas
A resposta curta
Guarde os pedaços, não cole nada em casa e fale com o seu dentista o quanto antes. Até a consulta, prefira alimentos macios e mastigue do lado oposto. Se o protocolo ficou solto ou balançando, evite usá-lo para mastigar, porque o movimento sobrecarrega parafusos e implantes. Dor forte, inchaço, sangramento que não para ou febre pedem atendimento no mesmo dia.
O que fazer agora, passo a passo
Na maior parte das vezes dá para atravessar os primeiros dias com alguns cuidados simples, enquanto a consulta não acontece.
- Guarde todos os fragmentos. Dente solto, pedaço de resina, lasca de cerâmica. Coloque num recipiente limpo e seco. O jeito como a peça quebrou ajuda o dentista a entender o que aconteceu, e em alguns casos o próprio fragmento entra no reparo.
- Tire da boca o que estiver solto. Se um dente ou uma lasca se desprendeu, retire com cuidado para não engolir.
- Observe se a prótese está firme ou se mexe. Faça o teste com a língua, sem forçar. Essa informação muda a pressa, e o dentista vai perguntar por ela.
- Mude a alimentação. Alimentos macios, cortados em pedaços pequenos, mastigados do lado oposto à fratura. Evite pão de casca dura, carne fibrosa, castanhas, gelo e qualquer coisa que exija morder com os dentes da frente.
- Mantenha a higiene. Escova macia, com delicadeza na região quebrada. Parar de limpar por medo de piorar costuma inflamar a gengiva em poucos dias.
- Ligue para o dentista que acompanha o seu caso. Descreva o que quebrou, se a prótese mexe e se há dor.
Se uma borda ficou cortante e está ferindo a língua ou a bochecha, um pedaço de cera ortodôntica, vendida em farmácia, pode cobrir a aresta até a consulta.
O que costuma quebrar, do mais comum ao menos comum
Os problemas da peça, a parte protética, são bem mais frequentes do que os problemas do implante em si. Por isso, na maioria das vezes, um protocolo quebrado é um problema de prótese, e os implantes continuam onde estavam.
- Dente que soltou da base ou lascou. É a ocorrência mais comum nos protocolos com dentes de resina. Muitas vezes o reparo é possível em laboratório.
- Fratura da base de resina. A gengiva artificial pode trincar, especialmente nas regiões mais finas ou nas extremidades.
- Lascamento da cerâmica. Em protocolos de porcelana ou zircônia, a fratura costuma ser um lascado na superfície. Dependendo do tamanho e do local, há reparo ou não.
- Parafuso solto ou quebrado. A prótese passa a mexer, faz um clique ao mastigar ou parece mais alta de um lado.
- Fratura da barra ou da estrutura interna. Menos comum. Quando acontece, em geral exige uma nova estrutura.
- Problema no implante. É a situação mais rara entre as queixas de “protocolo quebrado”, mas precisa ser descartada no exame, com radiografia e avaliação de mobilidade.
Só o exame confirma em qual desses cenários você está.
Firme ou balançando: por que isso muda a pressa
Se a prótese continua firme e a fratura é num dente ou numa área estética, o incômodo é grande, mas a situação costuma tolerar alguns dias com os cuidados acima.
Se a prótese balança, provavelmente um ou mais parafusos afrouxaram ou quebraram. Aí a força da mordida passa a se concentrar nos parafusos e implantes que ficaram firmes. Quanto mais tempo se mastiga assim, maior o risco de outros componentes cederem. Nesse caso vale pedir encaixe na agenda com prioridade e, até lá, mastigar o mínimo possível com a prótese.
Sinais que pedem atendimento no mesmo dia
- Dor forte ou latejante
- Inchaço no rosto ou na gengiva
- Sangramento que não para depois de alguns minutos de pressão leve com gaze
- Febre ou pus saindo pela gengiva
- Fragmento que está ferindo a boca e não dá para proteger
Uma situação à parte: se você suspeita que aspirou um fragmento e tem tosse persistente, falta de ar ou chiado no peito, procure um pronto-socorro imediatamente. Se engoliu um pedaço pequeno e não tem nenhum sintoma, avise o dentista e siga a orientação médica.
O que não fazer
Não cole com cola instantânea. É a dúvida mais buscada sobre o assunto, e a resposta é não. Essas colas não foram feitas para uso na boca, podem irritar a gengiva e deixam uma camada entre as partes que muda o encaixe da mordida. Também contaminam a superfície que o laboratório precisaria unir, o que pode tornar inviável um reparo que seria simples.
Não tente apertar ou retirar parafusos. O protocolo parafusado é removido pelo dentista com chave e torque específicos. Ferramenta caseira pode danificar a cabeça do parafuso e transformar um reaperto numa troca de componente.
Não lixe nem corte a prótese. Uma lixa de unha remove material que faz falta no reparo e pode criar uma nova área de fratura.
Não continue mastigando normalmente com a prótese solta. É o hábito que mais costuma ampliar o problema.
Não tome antibiótico por conta própria. Nem sobra de receita antiga. Se houver sinal de infecção, quem decide a medicação é o profissional que examinar você.
Não espere semanas para ver se acomoda. Prótese quebrada não se acomoda.
Depois do reparo, a pergunta que continua
Reparar devolve a peça. O que o reparo sozinho não responde é por que ela quebrou. Uma fratura isolada, depois de anos de uso, pode ser só desgaste do material. Fraturas que se repetem no mesmo lugar costumam ter relação com a força que chega à prótese, e essa força continua lá depois do conserto.
Esse é o assunto do post por que a prótese protocolo quebra mais de uma vez. Se a sua prótese já tem muitos anos e esta não é a primeira fratura, vale ler também protocolo antigo: sinais de que é hora de trocar.
Como é o rediagnóstico na Matiz
Muita gente chega aqui porque o profissional que fez a prótese não está disponível, ou porque quer uma segunda avaliação antes de decidir. As duas situações seguem o mesmo caminho.
O primeiro objetivo é estabilizar: devolver conforto e mastigação, ainda que com uma solução provisória. Depois vem a avaliação completa:
- remoção do protocolo, quando ele é parafusado, para examinar cada implante e a gengiva embaixo;
- radiografias para verificar o osso em volta dos implantes;
- conferência dos parafusos e da adaptação da prótese sobre os implantes;
- análise da mordida e de sinais de apertamento ou bruxismo;
- leitura da documentação anterior, se houver.
Se você tiver o registro do sistema de implante usado (marca, modelo, plataforma), traga. Componentes protéticos não são universais entre sistemas, e essa informação encurta o caminho. Se não tiver, pedir cópia do prontuário é um direito seu, como explicamos na página sobre segunda opinião odontológica.
Você sai com o que encontramos e com os caminhos possíveis: reparo, troca de componentes, ajuste da mordida ou uma nova prótese. A decisão é sua. Não comentamos o trabalho de quem fez a prótese, porque isso não ajuda você a decidir. Entender a situação de hoje, sim.
Para saber mais sobre como planejamos e acompanhamos esse tipo de prótese, veja a página de prótese protocolo.
Perguntas frequentes
Prótese protocolo quebrou, o que fazer?
Guarde os fragmentos, não cole nada, prefira alimentos macios do lado oposto e fale com o seu dentista. Se a prótese estiver balançando, evite mastigar com ela e peça atendimento com prioridade. Dor forte, inchaço, febre ou sangramento persistente pedem atendimento no mesmo dia.
Posso colar a prótese com super bonder?
Não. Cola instantânea não é feita para a boca, pode irritar a gengiva, muda o encaixe da mordida e contamina a superfície que precisaria ser unida no laboratório. Um reparo que seria simples pode deixar de ser possível depois da cola.
Quanto tempo posso ficar com a prótese rompida?
Não existe um prazo seguro único. Se a prótese está firme e a fratura é pequena, alguns dias com cuidado costumam ser toleráveis. Se está solta, cada dia de mastigação sobrecarrega os componentes que ficaram firmes, e a avaliação deve vir o quanto antes.
Prótese protocolo quebrada tem conserto?
Muitas vezes tem. Dente solto, base trincada e parafuso quebrado costumam ser reparáveis. Fratura da estrutura interna ou fraturas repetidas no mesmo ponto podem indicar a necessidade de uma nova prótese. Só o exame define.
Existe conserto de prótese dentária na hora?
Alguns reparos simples podem ser feitos no consultório no mesmo dia. Reparos que dependem de laboratório levam mais tempo, e nesse intervalo o dentista avalia como evitar que você fique sem dentes. O prazo depende do tipo de fratura e do material.
Cada caso tem uma causa diferente
O texto explica o que costuma acontecer. O que acontece no seu caso só o exame mostra: a avaliação termina num parecer, antes de qualquer plano.
Protesista, responsável técnico, CRO-RS 20211
Protesista, com atuação focada em reabilitação oral e planejamento de casos. Responsável técnico da Clínica Matiz perante o CRO-RS.
Outras perguntas sobre protocolo, prótese e coroa
Ver a página sobre prótese protocolo- Dentadura, overdenture ou protocolo: como se decide As três próteses para quem perdeu todos os dentes, comparadas pelo que importa: osso, saúde, higiene, estabilidade e manutenção. Sem ranking.
- Implante ou ponte fixa: o que pesa na decisão Os critérios que decidem entre implante e ponte para repor um dente: estado dos vizinhos, osso, gengiva, saúde e higiene. Sem ranking, caso a caso.
- Inflamação que volta sempre embaixo do protocolo: o que investigar Gengiva que inflama, melhora e volta embaixo do protocolo tem causa. O que se investiga: higiene, adaptação da prótese, mordida e saúde geral.
- Mau hálito com protocolo ou prótese fixa: de onde vem e quando é sinal de problema Mau hálito com protocolo ou prótese fixa costuma vir de biofilme embaixo da peça. Como limpar e quando o cheiro pode indicar inflamação.