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Bruxismo quebrou minha faceta ou meu implante: refazer sem tratar a força adianta?

Werner Marks Protesista, responsável técnico, CRO-RS 20211 6 min de leitura

A resposta curta

Quando a causa da quebra é a força do bruxismo, refazer só a peça costuma repetir o problema, às vezes no mesmo dente, às vezes no vizinho. Antes de refazer, é preciso confirmar se o bruxismo é mesmo a causa, avaliar a mordida e planejar como proteger o trabalho novo, em geral com placa noturna e ajustes no desenho da peça. Só o exame confirma de onde veio a fratura.

Por que a força importa tanto

Bruxismo é a atividade repetida dos músculos da mastigação de apertar ou ranger os dentes. Pode acontecer dormindo ou acordado, e muita gente não sabe que tem. Quem percebe primeiro, com frequência, é quem dorme ao lado, por causa do ruído.

Essa força é muito maior que a da mastigação comum e se repete por horas. Dentes naturais têm um amortecedor, o ligamento periodontal, que absorve parte da carga e avisa com sensibilidade quando ela passa do ponto. Facetas de cerâmica são finas e rígidas. Implantes ficam unidos diretamente ao osso, sem ligamento, e por isso não dão esse aviso.

O resultado é que o dano tende a aparecer no ponto mais frágil do conjunto. E se o ponto mais frágil é trocado por uma peça nova, a força continua lá, procurando o próximo.

O que costuma quebrar, e onde

Estas são as situações ligadas à força que mais aparecem em consultório, das mais frequentes para as menos:

  • Faceta que lasca na borda. A borda dos dentes da frente é a região que mais recebe carga quando a mandíbula desliza para os lados ou para frente. Lascas repetidas no mesmo ponto são um padrão típico de sobrecarga.
  • Faceta que solta. A soltura pode ter várias causas, entre elas a cimentação e a condição do dente por baixo. A carga concentrada por apertamento é uma delas e precisa ser investigada.
  • Cerâmica da coroa sobre implante que lasca. A coroa recebe toda a força sem amortecimento, e a porcelana de revestimento pode fraturar.
  • Parafuso da prótese que afrouxa. Parafuso que precisa ser reapertado mais de uma vez costuma sinalizar desequilíbrio de carga.
  • Fratura de componente ou da prótese. Menos comum, e mais séria. Pede avaliação de toda a estrutura.
  • Desgaste dos dentes naturais que mordem contra a peça. Às vezes a peça resiste e quem desgasta é o dente do outro lado.

A associação entre bruxismo e complicações em implantes aparece com mais clareza nas falhas mecânicas, como cerâmica lascada e parafuso solto, do que na perda do próprio implante. Ainda assim, sobrecarga persistente é um fator que se investiga sempre que um implante incomoda. Veja mais sobre isso em implante com problema.

Sinais que podem indicar bruxismo

Nenhum desses sinais fecha o diagnóstico sozinho. Eles indicam que vale examinar a força antes de refazer qualquer peça:

  • Dor ou cansaço nos músculos do rosto ao acordar
  • Dor de cabeça na região das têmporas pela manhã
  • Desgaste nas pontas dos dentes, que ficam retas ou com aspecto liso e brilhante
  • Pequenas trincas no esmalte ou lascas recorrentes
  • Sensibilidade sem cárie aparente
  • Estalos ou desconforto na articulação da mandíbula
  • Marcas da borda dos dentes na lateral da língua ou na bochecha
  • Relato de ruído de ranger durante o sono

Bruxismo do sono pode ter relação com distúrbios do sono. Quando a história sugere isso, como ronco intenso ou pausas na respiração, a avaliação pode incluir encaminhamento médico.

Refazer sem tratar a força adianta?

Na maior parte dos casos em que a força é a causa, refazer só a peça resolve por um tempo e o problema volta. Às vezes no mesmo dente, às vezes em outro do conjunto.

Isso não quer dizer que a faceta ou a coroa não devam ser refeitas. Muitas vezes precisam. Quer dizer que o plano de refazer precisa incluir o controle da carga. Na prática clínica, isso costuma envolver:

  • Placa oclusal noturna, rígida e ajustada em consultório. Ela não elimina o bruxismo. Protege dentes e peças da força enquanto você dorme.
  • Ajuste do desenho da mordida, para que os movimentos laterais e para frente distribuam a carga entre mais dentes.
  • Escolha de material e espessura compatíveis com a força que aquela peça vai receber.
  • Avaliação da posição dos dentes. Quando um dente recebe carga demais por estar fora de posição, a ortodontia antes da peça nova pode redistribuir essa força.
  • Atenção ao apertamento durante o dia, que costuma ser inconsciente e aparece em momentos de concentração ou tensão.

Bruxismo, pelo conhecimento atual, é controlado, e não eliminado de forma permanente. O objetivo do plano é que a força exista sem destruir o trabalho.

O que não fazer

  • Não cole a faceta ou o fragmento em casa. Cola instantânea e produtos de uso doméstico podem danificar o dente e dificultar a recolocação ou o reparo.
  • Não continue mordendo com a peça lascada. Uma borda cortante pode machucar língua e bochecha, e a trinca pode avançar.
  • Não reaperte nem tente remover parafuso por conta própria.
  • Não abandone a placa porque a peça já quebrou. Se você tem uma placa, leve-a para a consulta. Ela mostra marcas de desgaste que ajudam no diagnóstico.
  • Não aceite refazer só para “ver se agora dura”. Pergunte o que foi identificado como causa e o que será feito para controlá-la.

Como avaliamos na Matiz

O exame começa pela história: quando a peça quebrou, se já tinha quebrado antes, como você dorme, se acorda com dor, se aperta os dentes durante o dia. Se você tiver radiografias, fotos ou o plano anterior, traga. Ajuda a entender a sequência dos fatos.

Depois, exame dos músculos, da articulação e do padrão de desgaste dos dentes. Análise da mordida em movimento, e não só com os dentes parados. Avaliação da peça fraturada e do dente ou implante por baixo, com imagem quando indicada.

O parecer separa o que é causa e o que é consequência. Se a força é o fator principal, ela entra no plano antes da peça nova. A ordem costuma ser controlar a carga, testar a forma com provisório e só então confeccionar a peça final. Quando a posição dos dentes pesa, a ortodontista da equipe participa do planejamento.

A avaliação é sobre o que está na sua boca hoje e sobre o que pode dar estabilidade daqui para frente, e não sobre quem fez o trabalho anterior. Veja como funciona essa avaliação na página de retrabalho em reabilitação oral, e o que muda quando se refaz uma faceta em refazer facetas.

Perguntas frequentes

Bruxismo quebra faceta?

Pode quebrar. A carga repetida de apertar ou ranger concentra força na borda da faceta, que é fina e rígida. Lascas no mesmo ponto, mais de uma vez, são um sinal que pede avaliação da mordida. Só o exame confirma a causa de cada fratura.

Bruxismo amolece implante?

A força excessiva costuma aparecer primeiro como parafuso que afrouxa ou cerâmica que lasca. Mobilidade do implante em si é outra situação e pede exame com imagem. Em ambos os casos, investigar cedo muda o tratamento.

Bruxismo tem cura?

Pelo conhecimento atual, o bruxismo é controlado e não eliminado de forma permanente. Placa noturna, ajuste da mordida e atenção ao apertamento diurno reduzem o dano que ele causa. A causa e o tratamento variam de pessoa para pessoa.

Quem tem bruxismo pode usar lente de contato dental?

Em alguns casos, sim, com planejamento específico: material, espessura, desenho da mordida e uso de placa. Em outros, o risco de fratura indica outra solução. Depende da intensidade da força e da posição dos dentes, o que só a avaliação define. Saiba mais sobre facetas de porcelana.

O que faz a faceta cair?

As causas mais comuns envolvem a cimentação, a condição do dente por baixo e a carga que a faceta recebe. Bruxismo e contatos de mordida mal distribuídos estão entre os fatores de carga. O exame identifica qual pesou no seu caso.

Cada caso tem uma causa diferente

O texto explica o que costuma acontecer. O que acontece no seu caso só o exame mostra: a avaliação termina num parecer, antes de qualquer plano.

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Werner Marks

Werner Marks

Protesista, responsável técnico, CRO-RS 20211

Protesista, com atuação focada em reabilitação oral e planejamento de casos. Responsável técnico da Clínica Matiz perante o CRO-RS.

Outras perguntas sobre bruxismo e desgaste

Ver a página sobre retrabalho de reabilitação oral