Refazer facetas de porcelana: quando vale e quando não
Nem toda faceta que incomoda precisa ser refeita. Parte das queixas se resolve ajustando a mordida, tratando a gengiva ou trocando apenas algumas peças. Saber qual é o seu caso é o que a avaliação faz.
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A resposta curta
Refazer é necessário quando o problema está na própria peça. Cor definida errada, forma desproporcional, contorno que não acompanha a gengiva, cerâmica com trinca ou infiltração. A cor de uma faceta pronta não se altera, então corrigir tom significa trocar a peça.
Refazer não é necessário quando o problema está em volta: contato prematuro na mordida, bruxismo sem placa, gengiva inflamada, ou uma ou duas peças destoando de um conjunto que está bom. Nesses casos, ajustar custa menos e preserva mais dente.
A diferença entre os dois cenários não se enxerga em foto. Precisa de exame clínico, análise da oclusão e, às vezes, radiografia.
Dos casos que chegam até nós, a proporção é aproximadamente esta. O que decide em qual terço o seu caso cai é a causa da queixa, não o tempo que passou desde o tratamento.
As queixas que mais chegam
Depois de alguns anos recebendo esses casos, as reclamações se repetem em um padrão bastante estável.
- "Ficaram brancas demais", questão de tom e, quase sempre, de translucidez: a peça reflete luz como um bloco opaco, não como esmalte
- "Parecem grandes demais", proporção entre altura e largura, ou excesso em relação ao lábio quando você sorri
- "Todas iguais", dentes naturais não têm o mesmo formato; a simetria perfeita é lida como artificial mesmo por quem não sabe explicar
- "A gengiva ficou estranha", o contorno gengival não foi reposicionado junto com a nova forma
- "Uma soltou", falha de cimentação, ou carga concentrada por bruxismo ou contato prematuro
- "Lascou na borda", quase sempre função, não material
Como é a avaliação
Começa pelo que já existe. Se você tiver o plano de tratamento anterior, as fotos iniciais e as radiografias, traga, é seu direito ter cópia do prontuário, e economiza etapas. Se não tiver, fazemos os registros na consulta.
Fazemos exame clínico com afastadores e registro fotográfico padronizado, análise da mordida em função (não só com os dentes parados) e avaliação periodontal. Quando há suspeita de infiltração ou fratura, entra radiografia.
O resultado é um parecer que separa três coisas: o que é queixa estética, o que é problema funcional e o que é os dois. Cada uma tem conduta diferente, e misturar as três é o que costuma gerar retrabalho desnecessário.
O que muda quando se refaz
Trocar uma faceta significa remover a cerâmica antiga e preparar o dente de novo. Cada ciclo remove uma camada de estrutura que não volta, então a decisão tem peso.
Por isso o planejamento é feito antes de qualquer desgaste: enceramento digital, ensaio provisório na própria boca, tempo para você avaliar em casa, no seu espelho, com a sua luz. A forma é aprovada antes de a broca encostar no dente.
Se o caso envolve bruxismo, ele é tratado primeiro. Cimentar cerâmica nova sobre a mesma carga que quebrou a anterior é repetir o problema com outro nome.
Perguntas frequentes
01 Posso refazer só alguns dentes?
Sim, e com frequência é o que faz sentido. O desafio é integrar cor e translucidez entre peças novas e antigas, o que exige prova em consultório. Quando o conjunto antigo já perdeu brilho de forma desigual, refazer tudo pode sair mais previsível, mas isso se avalia, não se assume.
02 Quanto tempo depois de colocar dá para refazer?
Não há prazo mínimo técnico. O que define é a condição do dente por baixo e do tecido em volta. Em alguns casos vale esperar a gengiva estabilizar antes de tomar a decisão definitiva.
03 Vocês dão parecer sobre o trabalho que foi feito?
Damos diagnóstico sobre o que está na sua boca hoje e sobre os caminhos possíveis daqui para frente. Avaliação técnica de um caso e juízo sobre a conduta de um colega são coisas diferentes, só a primeira nos cabe.
Revisado em por Werner Marks, responsável técnico · CRO-RS 20211