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Meus dentes estão desgastados pelo bruxismo: o que dá para recuperar?

Werner Marks Protesista, responsável técnico, CRO-RS 20211 6 min de leitura

A resposta curta

O esmalte perdido não se regenera, mas a forma, o comprimento e a função dos dentes desgastados costumam poder ser reconstruídos com resina, cerâmica ou uma combinação das duas. Antes de reconstruir, é preciso confirmar o que causou o desgaste, que nem sempre é só bruxismo, e controlar a força. Só o exame da mordida define quanto e como dá para recuperar.

O que se perde e o que se recupera

O esmalte é o tecido mais duro do corpo, e não tem células para se refazer. O que foi desgastado não cresce de novo. Essa é a parte que não muda.

O que se recupera é o resultado do desgaste: dentes que ficaram curtos, bordas retas, perda de contorno, sensibilidade, a sensação de que o sorriso “envelheceu”. Isso pode ser reconstruído por adição de material sobre o dente, e muitas vezes sem precisar desgastar mais nada.

O quanto dá para recuperar depende de três coisas. Quanto de dente sobrou. Se a dentina, a camada mais macia por baixo do esmalte, já está exposta. E se a causa do desgaste ainda está agindo.

Nem todo desgaste vem do bruxismo

Dente desgastado costuma ser atribuído ao ranger, e com frequência é mesmo. Mas há outras causas, e muitas vezes elas se somam. Na ordem em que costumam aparecer no consultório:

  • Atrito por bruxismo. Facetas planas e brilhantes nas pontas dos dentes, que se encaixam como peças quando a mandíbula desliza para o lado. Dentes de cima e de baixo desgastados no mesmo ponto.
  • Erosão por ácido. Superfícies arredondadas, em forma de concha, às vezes com restaurações que parecem “saltar” para fora do dente. Refluxo, bebidas ácidas frequentes e episódios de vômito estão entre as origens.
  • Abrasão. Desgaste perto da gengiva, em forma de cunha, ligado à escovação com força excessiva ou cremes muito abrasivos.
  • Combinação. O ácido amolece a superfície e a força do bruxismo remove o que amoleceu. Nessa situação, o desgaste avança mais rápido do que cada causa faria sozinha.

A diferença importa porque o tratamento muda. Se há refluxo, por exemplo, reconstruir sem encaminhar para avaliação médica deixa a causa ativa. O bruxismo em si, e por que ele quebra trabalhos feitos, está explicado em bruxismo quebrou minha faceta ou meu implante.

Sinais que pedem avaliação

Alguns sinais indicam que o desgaste já passou do esmalte ou que há algo além dele:

  • Sensibilidade ao frio, ao doce ou ao escovar, sem cárie aparente
  • Pontas dos dentes amareladas ou com uma pequena cratera no meio, o que pode indicar dentina exposta
  • Bordas finas que lascam com facilidade
  • Dentes da frente ficando mais curtos, ou a sensação de que o sorriso aparece menos
  • Restaurações antigas que parecem mais altas que o dente em volta
  • Dor nos músculos do rosto ao acordar, ou estalos na articulação

Procure atendimento sem esperar se houver dor espontânea, latejante ou que acorda à noite. Pode indicar que a polpa do dente foi atingida, e isso não espera o planejamento estético.

O que dá para fazer

Com a causa identificada e a força sob controle, as opções vão do mais conservador ao mais extenso. A escolha depende de quanto dente sobrou e da carga que aquela região recebe.

  • Resina direta. Reconstrói bordas e pontas por adição, sem desgaste. É a opção mais conservadora e permite testar o comprimento e a forma antes de qualquer decisão maior. Em quem tem bruxismo, precisa de proteção com placa e de revisão periódica. Veja mais em restauração dentária estética.
  • Onlay ou overlay de cerâmica. Peças que cobrem a parte de cima do dente posterior, preservando as laterais. Indicadas quando o desgaste é extenso e a carga é alta.
  • Facetas. Para os dentes da frente, quando além do comprimento há perda de forma ou de cor. Em quem tem bruxismo, a indicação exige planejamento de material, espessura e desenho da mordida. Saiba mais em facetas de porcelana.
  • Coroas. Quando sobrou pouca estrutura, ou quando o dente já tem canal e restaurações grandes.
  • Recuperar a altura da mordida. Quando muitos dentes desgastaram juntos, a distância entre as arcadas pode ter diminuído. Em casos selecionados, o plano reconstrói essa altura de forma controlada, sempre testada antes com material provisório.
  • Ortodontia antes. Às vezes o espaço para reconstruir não existe, porque os dentes acompanharam o desgaste. Mover os dentes antes pode evitar desgaste adicional.

Em muitos casos, o plano combina mais de uma dessas opções, em regiões diferentes da boca.

O que não fazer

  • Não espere a sensibilidade passar sozinha. Ela pode diminuir, mas o desgaste continua.
  • Não troque para escova dura ou creme clareador abrasivo tentando “limpar” a cor amarelada. A cor costuma ser dentina aparecendo, e a abrasão piora.
  • Não escove logo depois de algo ácido. O esmalte fica amolecido por um tempo. Enxaguar com água e esperar é mais prudente.
  • Não use placa de farmácia por conta própria. Placas moldáveis em casa não são ajustadas à sua mordida. Entenda os cuidados em placa de bruxismo pode quebrar ou mover os dentes?
  • Não reconstrua tudo de uma vez sem teste. Mudar a forma e a altura de vários dentes sem uma fase de prova aumenta o risco de desconforto e de fraturas.

Como é o rediagnóstico na Matiz

A consulta começa pela história. Desde quando você percebe o desgaste, se tem refluxo ou azia, como é sua alimentação, como dorme, se aperta os dentes durante o dia. Se tiver fotos antigas do sorriso, traga. Elas ajudam a medir a velocidade da perda.

Depois vem o exame. Músculos, articulação, padrão do desgaste em cada dente, mordida em movimento. Radiografias quando indicadas, e registro fotográfico para comparar ao longo do tempo.

O parecer separa causa e consequência. Se há erosão, o plano inclui encaminhamento médico. Se a força é o fator principal, a placa vem antes de qualquer reconstrução. A sequência costuma ser controlar a causa, testar a nova forma em resina ou provisório, ajustar, e só então partir para o trabalho final. Quando a posição dos dentes pesa, a ortodontista da equipe entra no planejamento.

A página de bruxismo e reabilitação detalha como a força entra no plano. Se você já recebeu uma proposta extensa e quer outra leitura antes de decidir, veja segunda opinião odontológica.

Perguntas frequentes

Dentes desgastados por bruxismo: como recuperar?

A forma e a função podem ser reconstruídas com resina, cerâmica ou ambas, conforme quanto dente sobrou. O esmalte em si não volta. Antes de reconstruir, a força precisa estar controlada, em geral com placa noturna ajustada em consultório.

Dente desgastado pode receber lente ou faceta?

Em alguns casos, sim. Depende de quanto esmalte sobrou para a colagem, do espaço disponível e da intensidade do bruxismo. Em outros, a resina ou uma peça mais espessa atende com menos risco. Só a avaliação da mordida define.

O desgaste do dente para de avançar?

Ele tende a continuar enquanto a causa estiver ativa. Controlar o bruxismo e, quando houver, a erosão por ácido reduz a velocidade da perda. Fotos e moldes comparados ao longo do tempo mostram se está estável.

Bruxismo tem tratamento?

Pelo conhecimento atual, o bruxismo é controlado e não eliminado de forma permanente. Placa noturna, atenção ao apertamento diurno e, em alguns casos, avaliação do sono fazem parte do controle. O plano varia de pessoa para pessoa.

Cada caso tem uma causa diferente

O texto explica o que costuma acontecer. O que acontece no seu caso só o exame mostra: a avaliação termina num parecer, antes de qualquer plano.

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Werner Marks

Werner Marks

Protesista, responsável técnico, CRO-RS 20211

Protesista, com atuação focada em reabilitação oral e planejamento de casos. Responsável técnico da Clínica Matiz perante o CRO-RS.

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