Prótese que não encaixa, machuca ou solta
Prótese boa não se sente. Se a sua machuca, solta ao falar, prende comida sempre no mesmo ponto ou mudou de comportamento com o tempo, há o que investigar antes de partir para refazer.
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A resposta curta
Uma prótese pode estar mal adaptada desde o início, problema de moldagem, de registro de mordida ou de planejamento, ou ter deixado de servir porque a boca mudou. Osso reabsorve, gengiva retrai, dentes vizinhos migram.
O caminho começa por identificar em qual dos dois cenários você está. Reembasar, ajustar ou refazer são condutas diferentes, com custo e prazo diferentes.
A avaliação pergunta o que a prótese está fazendo com o que sobrou, e não apenas se ela está boa. Uma prótese desadaptada distribui carga de forma desigual, e quem paga a conta são os dentes de apoio e o osso embaixo dela. É por isso que adiar costuma sair mais caro: o problema deixa de ser a peça e passa a ser a estrutura que a sustenta, e aí a conversa muda de reembasamento para reconstrução, outra ordem de grandeza em tempo e em custo.
Por tipo de prótese
Total removível: a retenção depende do rebordo e do selado periférico. Com a reabsorção óssea natural, a mesma prótese que servia passa a balançar. Reembasamento resolve boa parte dos casos sem refazer a peça.
Parcial removível: os grampos perdem tensão, e os dentes de apoio sofrem quando a distribuição de carga está errada. Uma parcial mal desenhada não incomoda só quem a usa, compromete os dentes que a seguram.
Fixa sobre dentes: o ponto crítico é a margem. Desadaptação ali gera infiltração, cárie recorrente e inflamação gengival, muitas vezes sem dor até tarde.
Sobre implantes: some a questão da retenção e entra a da carga. Parafuso que afrouxa repetidamente é sinal de desequilíbrio, não defeito de fábrica.
Sinais que pedem avaliação
- Ferida que sempre volta no mesmo ponto da gengiva
- Prótese que solta ao falar, rir ou comer
- Comida que prende sempre no mesmo lugar
- Mudança na fala que não passou depois das primeiras semanas
- Dor em um dente de apoio, ou mobilidade nele
- Mau hálito persistente apesar da higiene
- Parafuso que já foi reapertado mais de uma vez
Como avaliamos
Exame clínico com a prótese na boca e fora dela, avaliação do tecido de suporte, análise da oclusão em função e radiografias dos dentes ou implantes de apoio.
Em prótese fixa, a checagem de margem e a radiografia interproximal dizem se há infiltração, que é a diferença entre ajustar e refazer.
O parecer aponta o que é adaptável e o que não é, e o que acontece com os dentes de apoio se nada mudar. Essa última parte costuma ser a que mais pesa na decisão.
Perguntas frequentes
01 Dá para ajustar ou tem que refazer?
Depende de onde está o problema. Retenção que se perdeu por reabsorção óssea muitas vezes se resolve com reembasamento. Erro de registro de mordida ou desadaptação de margem em prótese fixa normalmente exige refazer. O exame separa os dois.
02 É normal machucar no começo?
Ajustes nas primeiras semanas são esperados e fazem parte do processo. O que não é normal é ferida que volta sempre no mesmo ponto depois desse período, ou dor que aparece meses depois de tudo estar acomodado.
03 Minha prótese tem muitos anos. Preciso trocar?
Idade sozinha não é indicação. O que indica é desadaptação, infiltração, dano aos dentes de apoio ou desgaste que alterou a mordida. Uma prótese antiga bem adaptada e em boca saudável pode seguir em acompanhamento.
Revisado em por Werner Marks, responsável técnico · CRO-RS 20211